ALAGAMARES
| Início | Documentos | Artigos | Mais lidos | Eventos | Equipa | Estatutos | Ficheiros | Ligações | Fotos | Blogue | Notícias | Estatísticas | Sair |

     Calendário
Fevereiro 2012
  1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29  

Ambiente/Ecologia
Artes/Artesanato
Debates/Conferências
Desporto/Turismo
Direitos/Cidadania
Festas/Convívio
Formação/Workshops
História/Arqueologia
Literatura/Poesia
Música/Concertos
Museus/Exposições
Outros eventos
Passeios culturais
Património/Urbanismo
Teatro/Cinema

     Cronologia
1437- Fernão de Sintra, nesta data, é alcaide de Sintra.

     Documentos
· Faça-se associado da Alagamares
· Sintra património da humanidade
· Plano de Acções para o Biénio 2005-2007
· Colabore você também com a Alagamares
· Património sintrense classificado pelo IPPAR
· Manifesto da alagamares
· Estatutos da associação
· Núcleos de trabalho da Alagamares 2006-2007
· Lista de realizações e eventos da Alagamares
· III Encontro de História de Sintra

Leia mais...


     Downloads

Novidades:

 1: Condessa d-Edla DN Jul/2000 [372]
 2: UNESCO Mission Report Sintra 2006 [340]
 3: Defender Sintra do Cimento DN 23-07-2006 [308]
 4: Núcleos de Trabalho 2006-2007 [356]
 5: Diário de Notícias 12.02.2006 [332]
 6: Lei de Bases do Património Cultural Português [391]
 7: Cintra pinturesca, em 1838 [493]

Populares:

 1: Raul Lino, um grande arquitecto português [3723]
 2: Mapa Vectorial de Sintra [1985]
 3: Regime jurídico das associações de cidadãos [1073]
 4: Programa Ciência Viva [707]
 5: Video promocional de Sintra [502]
 6: Cintra pinturesca, em 1838 [493]
 7: Ficha de inscrição [441]

Ficheiros: 34
Categorias: 10
Downloads: 16209

Outros downloads


     Mais artigos
· JANTAR EM TORNO DOS MISTÉRIOS DA SERRA DE SINTRA
· ENCONTRO DE ASSOCIAÇÕES CULTURAIS DE SINTRA
· O Terror, as Cinzas e o Iluminismo
· Entrevista a Ruy Oliveira
· Ignara e o Teatromosca - Entrevista com Paulo Reis
· A CONVENÇÃO DE AARHUS E OS PLANOS DE PORMENOR
· A ALAGAMARES COM A PLATAFORMA PARA O PATRIMÓNIO CULTURAL
· PORTUGAL E O PATRIMÓNIO CULTURAL SUBAQUÁTICO
· VISITA AO MUSEU DE ODRINHAS
· VISITA À COVA DA MOURA
· JANTAR DEBATE
· BAPTISMOS DE VOO COM CÉU DE VERÃO
· RUI MÁRIO À CONVERSA COM A ALAGAMARES
· Os Cavaleiros Hospitalários de São João Batista de Jerusalém
· VISITA À COVA DA MOURA

Leia mais...


     Blogue
·Figuras esquecidas de Colares:Contador de Argote
·Perservar os morcegos de Sintra
·Bonecos de Bolso
·Evocando o Padre Alberto Neto
·Portugal-Espanha de outros tempos
·Saramago: a viagem do elefante
·As obras em Monserrate
·Louise Bourgeois
·Recordando o Larmanjat de Sintra
·Sugestões para 30 de Maio

Leia mais...

     Outros blogues
Rio das Maças
Colares entre o mar e a serra
Notícias da minha freguesia
Para os lados de Sintra
Sintra do avesso
Bairro dos Afoitos

     Pesquisa
Palavra-chave

     Protocolos
A Alagamares tem protocolos com as seguintes entidades:





 Entrevista a Ruy Oliveira

Local

RUI OLIVEIRA: “A não divulgação (da História Local) só interessa a quem está interessado no esvaziamento programado de valores, na des-memória colectiva”

Alagamares (A)-Qual a importância de Sintra na História de Portugal, e em sua opinião, qual o período histórico mais significativo?

Rui Oliveira (RO)- A importância é grande e, por inúmeros estudos historiográficos sintrenses, sabemos que a sua importância histórica é transversal a vários períodos da História de Portugal, da História das Instituições e mesmo da História de Vida de muita gente importante e conhecida; como de gente comum que, em função de realidades sociais determinantes, a História Local registou. Quanto ao período histórico em que Sintra, Vila e Concelho, marque ou assuma “papel” indelével na historiografia portuguesa ou europeia, penso que não só não é correcto como de poderá, até, ser contraproducente referir este ou aquele período como o mais marcante. Tanto mais que, em História tudo se correlaciona. Por vezes, acontece que na História Local de uma Vila e Concelho, como Sintra, a “pobreza” ou lacunas no conhecimento de factos e, ou, período históricos, se deva mais a fracas investigações interdisciplinares, ou à escassez de investigadores, do que a quaisquer outras razões.

A-Como se poderiam divulgar mais os aspectos da história local e captar pessoas interessadas nos mesmos?

RO- A divulgação, seja daquilo que for, é, nos tempos que correm, crucial. Vivemos cada vez mais numa sociedade de informação. Assim, impõe-nos o bom senso, é imperioso veicular a História Local pelos meios de comunicação social (tanto locais como nacionais). No caso concreto do concelho de Sintra, temos larga tradição no campo da divulgação da História Local, nomeadamente nos jornais, rádios locais (na Ocidente) e, mais recentemente, na net. Isto para além da tradicional divulgação técnica e especializada. Contudo este esforço, que reputo de notável, não tem chegado para levarmos a História Local ao grande Público Sintrense de forma exponencial. Portanto, é necessário que se promova exposições temáticas de História Local, fazendo-as circular por espaços públicos, escolas, em associações e certames de cariz popular. Sempre na perspectiva de que a investigação da História Local deve potenciar a Memória Histórica das Populações; que essa memória é colectiva e um bem público; e, sobretudo, que a sua não divulgação só interessa a quem está interessado no esvaziamento programado de valores, na des-memória colectiva que abre, assim, as portas ao obscurantismo sobre os qual corre, a maioria das vezes, os vis interesses especulativos.

A-Quais os locais históricos de Sintra que entende deveriam merecer mais atenção, numa perspectiva de recuperação?

RO- Apesar de concisa e simples, a vossa pergunta em termos de trabalho e analise no terreno é de resposta complexa. Sintra (concelho) não tem um local histórico! – Tem vários! Cada um deles com realidades e evoluções díspares, por vezes até em oposição. Em alguns desses locais pontificam, em conjunto ou isoladamente, monumentos com estatuto nacional, cerzidos a uma paisagem secular, moldada pelo Homem que tende, cada vez mais, à transmutação rápida e radical. Repare-se, por exemplo, no conjunto Megalítico de Monte Abraão, em Belas; ou noutro ainda mais emblemático, o da Paisagem Cultural de Sintra, Património Mundial. Depois temos os núcleos urbanos antigos, ou históricos, muitos deles ilustrativos da evolução secular das localidades. Evoluções particularmente sugestivas e sedutoras, nas localidades que desde o século XIX foram servidas pelo Comboio (linha de Sintra e Oeste) que, registe-se, o P.D.M. de Sintra (n.º116/1999, de 4 de Outubro) reconhece como locais de interesse patrimonial. Apesar desse reconhecimento o camartelo ganha terreno, como acontece no núcleo histórico da Agualva. Portanto, apesar da Lei, do bom senso e, diga-se, de algum gosto estético nos darem indicações condizentes com uma preservação/recuperação desses locais / espaços / monumentos, o que vemos é um: “deixa andar”.

Quanto aos locais propriamente ditos, que em minha opinião, carecem de atenção e recuperação, cito os que me são mais próximos, fisicamente, e me acompanham desde a minha meninice: o Centro Histórico de Belas; o Complexo Megalítico de Monte Abraão; o Alto de Colaride, na Agualva; o Centro Interpretativo Icnofóssil do Pego Longo, em Belas, com projecto aprovado, mas na gaveta.

Mas, existem outros, alguns dentro ou muito próximos da sede do concelho razão pela qual são sempre referidos, com inteira justeza, nos colóquios, em literatura especializada; a titulo de exemplo, no Parque da Pena, o chalet da Condessa d’Edla.

A-A historiografia de Sintra permite a recolha de matéria suficiente para que se possa ministrar uma disciplina de estudos sintrenses?

RO- Sim permite! Sem qualquer sombra de dúvida. Mais, essa “disciplina” de estudos sintrenses, pode e deve ser inter-disciplinar ou pluri-disciplinar. Creio até que um dos grandes objectivos, na génese, do Instituto de Sintra e o concurso de grandes académicos, na época, na formação deste, já indiciava a importância, assente na riqueza e abundância, de estudos historiográficos locais sintrenses. A tradição não se perdeu, mas é preciso trabalhar mais e melhor, sobretudo numa perspectiva global concelhia e interdisciplinar. Acredito que, com a chegada de novas gerações de investigadores, a situação possa ficar melhor, embora em muitas áreas do património sintrense, sobretudo na área das Ciências Sociais e Humanas, se tenha perdido, entretanto, muito coisa.

A-Tendo o Rui Oliveira dedicado especial atenção a áreas do concelho fora da tradicional rota dos castelos/centro histórico, quais os pólos que mais destaque tiveram ao longo do tempo, numa perspectiva económica e social?

RO- Belas foi talvez o pólo mais importante. Concelho Senhorial, desde o século XVI, até extinção no século XIX. Desde a Reconquista até a formação do Concelho Senhorial integrava o termo de Lisboa, teve Paço Real, e parte significativa das terras que integram na actualidade a Freguesia de Belas e parte do concelho da Amadora pertenciam a instituições eclesiásticas, ou canónicas, bem como a nobres importantes. No Palácio de Belas fez-se muita História! Alguma está por contar. Queluz foi outro pólo importante, principalmente no século XIX, com a estadia da Corte Absolutista. Contudo, o seu grande desenvolvimento, por etapas, prende-se com a implementação da Linha de Comboio de Sintra a Lisboa em sintonia com muitas outras localidades tais como: o Cacém, com as suas indústrias, entroncamento ferroviário, praça de homens e secular feira, é outro exemplo elucidativo de pólo económico e social. Realidades diferentes encontram-se nas zonas ditas rurais que, apesar de algo distanciadas desse eixo estruturante (o caminho-de-ferro), apresentam vitalidades específicas; Montelavar – Pêro Pinheiro indústria extractiva e transformadora da pedra; D. Maria e Almargem do Bispo produtora de mimos agrícolas, fornecedoras de prestação de serviços domésticos aos lisboetas, nomeadamente na lavagem de roupa, (sábio aproveitamento dos recursos hídricos da Freguesia); ou no Planalto de São João da Lampas vocacionado durante séculos para os cereais e actividade moageira; e, para terminar, é de referir o pólo, importante, sócio-cultural e económico da Vila de Sintra, pacientemente urdido, durante séculos, pela mais alta nobreza em estreita simbiose com o mais rústico dos hortelões: o Saloio Colarejo.

A-Concorda com a necessidade de divisão do concelho de Sintra, atentos os antecedentes administrativos e históricos?

RO- Sobre o tema, desde algum tempo recorrente das tertúlias de politica local, devo confessar que não tenho uma posição, ainda, segura. Aliás, já defendi as duas posições: contra e a favor. Actualmente espero uma “sedimentação” do tema. Mas, a existir uma divisão, esta deverá respeitar, antes de tudo, a vontade dos munícipes, e naturalmente, se possível, os antecedentes administrativos e históricos. Penso que uma base de trabalho, com vista à divisão do grande concelho de Sintra, seria a restauração do antigo concelho de Belas, cujo território rondaria as actuais freguesias de: Belas, Queluz, Massamá, Casal de Câmara, São Marcos, Cacém e Agualva, isto é, toda a zona Leste e Sul do actual rincão sintrense.

A-Que figura histórica conhecida ou menos conhecida do grande público mais contribuiu para a formação de um espírito sintrense, se é que o há? Acha que há um espírito sintrense?

RO- É por demais evidente que existe um espírito sintrense, creio até que existe uma mística, salutar, sintrense. A génese deste espírito além de milenar é também fruto do concurso de gerações de populações locais fortemente caldeadas com forasteiros de varias proveniências de lugares remotos, tão remotos quanto a extensão do “Império Português”. Pontualmente existiram, existe e existirá uma ou várias figuras que, ao longo do tempo, materializaram, materializam e materializaram esse espírito sintrense nas mais diversas vertentes da actividade humana, tanto a nível individual como colectivo. Desculpar-me-ão, por esta falta de delicadeza, todos aqueles que amam e trabalham em prole da grandeza de Sintra; mas, um nome me ocorre sonante no passado recente da História deste rincão: o Professor Joaquim Fontes. Médico, Arqueólogo, Político e Autarca, no seu trajecto por este concelho apreendeu esse espírito sintrense, e materializou-o de múltiplas formas, a maior das quais o Museu Monográfico de São Miguel de Odrinhas. Na sua esteira outros nomes grandes se afirmam: José Alfredo, Cardim Ribeiro, Victor Serrão, Teresa Simões e Teresa Caetano, etc. Nomes sonantes e determinantes que, conjuntamente com alguns outros, igualmente grandes, integram uma plêiade de investigadores que, nos seus trabalhos deixam “transparecer”, voluntariamente ou involuntariamente a constatação dum “espírito sintrense”.

A-Que investigações e assuntos o têm ocupado de momento?

RO- Presentemente estou a ultimar a Exposição Permanente de Etnografia dos Recreios Desportivos do Algueirão. Sou Suspeito para falar do assunto, mas creio que pelo conjunto de materiais expostos, e em acervo, esta exposição irá ter um papel preponderante na compreensão da cultura popular, dita, saloia. Por outro lado, está em fase de implementação acções educativas, tais como circulação de exposições temporárias nas escolas da freguesia e noutros locais, palestras temáticas, feiras de velharias etc, etc.

Por outro lado, e como é usual, sempre que tenho alguma disponibilidade de tempo vou fazendo algumas investigações na área da História Local, na Toponímia (micro e macro Toponímia), na Etnografia Saloia Sintrense, particularmente na área do trabalho e das Teofanias. Em Arqueologia neste momento apenas, e tão só, prospecção uma vez que trabalhos de escavação arqueológicos, são onerosos.

Quanto a trabalhos em curso, neste momento, presto apoio em tese de doutoramento, a um arquitecto amigo sobre a evolução histórica e arquitectural do antigo Paço Real de Belas. Em simultâneo, conjuntamente com outro investigador, estamos a proceder ao estudo de uma Teofania interessante do concelho de Sintra, apesar de extinta em 1940, que é o Senhor da Serra. Na Toponímia local, continuo a investigar micro topónimos da zona Leste e Sul do Concelho de Sintra.

A-Qual o papel que o associativismo cultural e a sociedade civil em geral devem ter na defesa do património de Sintra?

RO- O papel do associativismo, regra geral, deveria ser muito mais interventivo e profícuo do que é na realidade. No caso concreto do associativismo de índole cultural ou de defesa do património, seja de Sintra ou de qualquer outra localidade, continuamos muito incipientes. Fracas intervenções, fraca inter-acção com congéneres, a mais das vezes muita revindicação política e pouca solução técnica. Existem casos, muito pontuais, em que a situação é um pouco melhor, faz-se circular a informação, debate-se os assuntos, alerta-se a opinião pública; porém os resultados são escassos. Não nos podemos esquecer que a população portuguesa tem graves défices de conhecimentos, na cultura, no profissionalismo; fraca qualidade de vida, fraca educação e, depois de mais de trinta anos de democracia, fraca dignificação da cidadania. Há excepções honrosas que não passam disso mesmo, são honrosas. Infelizmente muitas associações são subsídio-dependentes o que pode condicionar o seu trabalho.




 
     Relacionado
· Mais sobre o tópico Local
· Outros artigos de alagamares


Os artigos mais lidos sobre Local:
Sintrenses pretendem restauro do Chalet da Condessa d'Edla


     Classificação
Pontuação Média: 4.89
votos: 66


Vote neste artigo:

Excellente
Muito Bom
Bom
Regular
Mau



     Opções

 Imprimir  Imprimir

 Envie este artigo a um amigo  Envie este artigo a um amigo


Início
Os comentários são propriedade de quem os escreveu. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Os comentários não podem ser enviados por utilizadores anónimos. Por favor registe-se




ALAGAMARES - ASSOCIAÇÃO CULTURAL
Caves de S. Martinho, Av. 25 de Abril, n.º 133, 2710-250 Galamares - Sintra
Web: www.alagamares.net, E-mail: info@alagamares.net, Tel.: 918343698

Código do website © 2003 PHP-Nuke. Todos os direitos reservados.
O PHP-Nuke é software livre sujeito à licença de software GNU/GPL.